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Oxigênio Festival: edição 2019 mostra pluralidade e força da cena alternativa

  • Gabrielli Salviano e Michelly Souza
  • 18 de set. de 2019
  • 5 min de leitura

Nadar contra a corrente é um dos pilares do underground, mas, em um mundo cheio de entretenimento a um toque na tela de distância, é preciso muita coragem e trabalho para criar algo especial o suficiente para fazer com que as pessoas saiam casa.

Quando a missão é engajar o público em um festival de três dias então é necessário trazer atrações imperdíveis e atividades extra interessantes. Ainda mais considerando que o público está cada vez mais ávido pela tal da experiência.

E essas são apenas as preocupações básicas. Agora acrescente o fato de que não estamos falando de um Lollapalooza ou o Rock In Rio, eventos em que patrocinadores disputam a chance de atrelar seus nomes ao festival e tornam muito mais fácil colocar os planos em ação.

O caso aqui é bem mais nichado e voltado para gêneros e bandas normalmente deixadas de lado por grandes produções. Tudo isso pela sede de dar ao underground o espaço que merece. Isso é o Oxigênio Festival. Foram três dias de música, pluralidade, alguns perrengues e a certeza de que a cena independente resiste e tem muito a oferecer.

Como foi a sexta edição do Oxigênio Festival?

Estruturada no espaço da Via Matarazzo, em São Paulo, a edição deste ano foi, sem dúvida, diferente das anteriores principalmente por abrir as portas para nomes fora do eixo punk - hardcore.

Como os responsáveis pelo evento explicaram durante a conferência de imprensa para anúncio do line up, a decisão de ser mais amplo e diversificado veio da necessidade de permanecer atualizado e interessante.

A escolha fez o line up ficar quase que inédito. Das 37 atrações apenas seis já haviam passado pelos palcos.

Para acompanhar os veteranos, a produção convidou representantes de todos os lados. Do rock psicodélico/indie do Codinome Winchester, ao folk de Terra Celta e do O Bardo E O Banjo e o som cheio de misturas de Teco Martins ॐ Sala Espacial, Big Up e Braza. Mas não se engane, a alma de Oxigênio estava lá e muito bem representada. O palco principal foi iniciado por Bayside Kings, seguido pelo retorno do Sugar Kane, que trouxe música inédita, e o Dead Fish, que tocou seu mais recente trabalho "Ponto Cego" na íntegra.

Já o velho conhecido da organização, CPM 22, resgatou clássicos como "Não Sei Viver Sem Ter Você" e "O Mundo Dá Voltas" para a apresentação. E pelas palavras do público acompanhou os caras no ano passado, "o show dessa vez foi muito melhor, teve mais energia".

A primeira noite deu o tom do fim de semana: enérgico, nostálgico e cheio de protestos.

No dia seguinte foi a vez de Ratos De Porão, Molho Negro, Gloria, Pense e Rivets representaram hardcore e o punk nacional. Neste último show, a nossa equipe viu Danilo Cutrim, do Braza, curtindo os conterrâneos no meio do pit antes de se juntar a eles no palco.

Momentos como esse são a alma do festival, a linha sutil que divide ídolo e fã desaparece transformando a atmosfera. O Not Dead! ouviu diversos relatos eufóricos de quem criou memórias ao lado de músicos que admira tendo a banda favorita como trilha sonora.

O último dia foi o mais nostálgico. Riocore se fez presente por completo com Darvin e Dibob. Descendo um pouco no mapa, o Granada fez seu grande retorno e aproveitou a oportunidade para anunciar a volta oficial da banda. A felicidade dos integrantes era tangível, principalmente do vocalista e fundador, Yuri Nishida, que deixou a emoção tomar conta e se entregou a plateia nos momentos finais.

Destaques

Nesta edição, a maioria das bandas aproveitou para deixar mensagens de protesto sobre o contexto político brasileiro. O Dead Fish tocou músicas que falam sobre episódios recentes e o Sugar Kane trouxe uma música sobre as queimadas da Amazônia.

Assim como o show de bandas como Armada, cujo line up traz punks veteranos no Blind Pigs cheios de ironia sobre o governo, o set do Pense foi recheado de crítica social, como sempre.

Vale ressaltar que a banda perdeu o tempo de pelo menos duas músicas para se certificar de que um fã machucado no pit fosse atendido pela equipe de socorristas do local e teve total apoio e colaboração da platéia.

As bandas lideradas por meninas também gritaram alto. O Sapataria, banda que venceu a votação popular e abriu o festival no domingo, representou o ativismo homossexual, assim como a banda Charlotte Matou Um Cara que deu o tom do feminismo.

As mulheres também mostraram presença durante o show do Braza, na noite anterior, ao pedir um momento só delas na roda. A banda endossou o chamado e quem estava na pista assegurou que elas tivessem o espaço para si.

O festival não é só música Além dos shows a Vans, principal patrocinadora, mais uma vez caprichou nas atividades extras. Entre um show e outro a galera pôde se divertir com os arcades, photo booth e workshops. As oficinas sempre trazem a essência do movimento independente e este ano o destaque fica para a confecção de zines. Quem passou pelo stand conheceu um pouco sobre a história dessas publicações antes de confeccionar sua própria revista no do it yourself. Para registrar o momento, uma boa foto é indispensável por isso a marca disponibilizou uma cabine fotográfica para o público caprichar nas caras e bocas. Mas quem gosta de skate e esperava arriscar umas manobras ficou na vontade. A mini rampa presente em edições anteriores não foi colocada desta vez por motivos de segurança.

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Já para os amantes de música, uma das novidades do ano foi um karaokê conduzido por músicos conhecidos do underground. A atividade deixou o festival muito mais divertido, por levar a experiência dos palcos a anônimos e humanizar ainda mais a figura das bandas do universo.

Imprevistos Ao longo da sexta-feira e do sábado, o público se dividiu entre os shows e as atividades sem grandes problemas, além de pequenos atrasos nos palcos e na abertura na casa. Mas no domingo, a organização enfrentou alguns desafios depois que a energia do palco principal caiu, no meio do show da banda Strike. O incidente encerrou a apresentação da banda de repente, que já estava na reta final, e atrasou a programação do palco que ainda teria apresentações do Far From Alaska e do Francisco El Hombre. Enquanto o público dos headliners ficava sem entender o que aconteceu, o show seguiu normalmente no palco menor, mas logo a energia dele teve que ser cortada para que o problema fosse resolvido com maior agilidade. Depois de cerca de uma hora e meia, a música retornou ao palco menor, mas a programação do espaço maior foi cancelada, já que alguns equipamentos foram gravemente comprometidos. Na correria, a organização optou por remarcar o show do Far From Alaska na The House, exclusivo para quem estava presente no domingo, e o Francisco El Hombre se apresentou na pista, a capella, de um jeito inusitado. O Hangar 110 e a Gig Music ainda informaram que os fãs que se sentiram prejudicados poderiam solicitar reembolso.

Apesar da decepção estampada no rosto de muitos e das reclamações, a maior parte do público afetado soube entender o lado da produção cujo trabalho foi muito além dos dias de evento.

Por conta dos imprevistos quem assumiu a responsabilidade de encerrar a edição 2019 do Oxigênio Festival foi o Dibob, colocando fogo na pista do Side Stripe. Pelo gás que dominava o ambiente ninguém diria que boa parte da galera estava ali desde sexta-feira e gastava as últimas reservas de energia aproveitando cada segundo de música.

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